Inteligência Espiritual

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Entendendo os tipos de Inteligência

Para podermos entender o que são Inteligências Múltiplas, devemos entender primeiramente o significado da palavra “inteligência”.

Segundo Adalberto Prado e Silva et alii (1990, p. 977) no Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa, da Encyclopaedia Britannica do Brasil, “inteligência” significa: capacidade de resolver situações novas com rapidez e êxito e, bem assim, de aprender, para que essas situações possam ser bem resolvidas.

Para João Batista Freire, “inteligência” seria, portanto, a manifestação do mesmo ser humano no ambiente exterior, social, ordenada socialmente, regrada. Quando o ser humano precisa se fazer entender pelo outro ele realiza ações ordenadas, ou seja, inteligentes.

E ele continua afirmando que “a inteligência, não seria um atributo exclusivo da razão, ou do cérebro, ou das palavras, mas qualquer ordem que possa ser entendida pelo outro, qualquer produção que ganhe, frente ao mundo social, contornos éticos e estéticos. Não importa se a manifestação se faça por palavras, por gestos, escritos ou mesmo, internamente, por pensamentos”. E esse conceito pode-se ser colocado, frente a frente, com as inteligências múltiplas, pois, dessa maneira, o professor respeita as habilidades e diferenças da cada aluno e não o rotula como “burro” por que não ter entendido tal conteúdo da maneira tradicional, e sim, da maneira que o aluno pode interpretar.

Agora, depois de quase duas décadas demonstrando o significado da palavra “inteligência” de modo incompleto, o autor da Teoria das Inteligências Múltiplas, Dr. Howard Gardner, a conceitua, de modo mais refinado, como: um potencial biopsicológico para processar informações que pode ser ativado num cenário cultural para solucionar problemas ou criar produtos que sejam valorizados numa cultura (2003).

Sete Tipos de Inteligência

Em sua Teoria sobre as Inteligências Múltiplas, GARDNER (1985), identificou 7 tipos de inteligências:

  1. Inteligência Lingüística: sensibilidade para o significado e ordem das palavras. Exemplos: oradores, escritores, poetas.
  2. Inteligência Lógico-Matemática: habilidade em sistemas matemáticos, em noções de quantidade. Presença muito forte em matemáticos, engenheiros, bancários, contadores entre outros.
  3. Inteligência Musical: habilidade para entender, apreciar e criar músicas. Músicos, compositores e dançarinos são exemplos dessa inteligência.
  4. Inteligência Espacial: habilidade para pensar em figuras, para perceber o mundo visual mais exatamente e recriá-lo ou alterá-lo na mente ou no papel. Esta inteligência é altamente desenvolvida em artistas, arquitetos, desenhistas e escultores.
  5. Inteligência Físico-Cinestésica: habilidade em utilizar o corpo como um modo de experimentar, praticar, se expressar, ou para aproximar-se de seus objetivos. Mímicos, dançarinos, jogadores, educadores físicos e atores são algumas das pessoas que demonstram esse tipo de inteligência.
  6. Inteligência Interpessoal: habilidade de perceber e entender os outros indivíduos – seu humor, desejos e motivações. Políticos e líderes religiosos, pais, professores experientes e terapeutas se utilizam desta inteligência.
  7. Inteligência Intrapessoal: conhecimento de suas próprias emoções. Alguns romancistas e consultores usam esta experiência para guiar os outros.

GARDNER (2001) estudou a hipótese de acrescentar mais duas novas inteligências, a Inteligência Natural e a Inteligência Existencial ou Espiritual.

Em seu processo de revisão da Teoria das Inteligências Múltiplas, o autor viu a necessidade de acrescentar a Inteligência Natural à lista das sete inteligências originais, que refere-se à habilidade de reconhecer e classificar plantas, animais, minerais, incluindo rochas e gramíneas e toda a variedade de fauna e flora e devido às suas contribuições para uma maior compreensão do meio ambiente e de seus componentes.

Porém, o mesmo não ocorre com a Inteligência Existencial ou Espiritual, embora o autor se sinta interessado, ele conclui que “o fenômeno é suficientemente desconcertante e a distância das outras inteligências suficientemente grande para ditar prudência - pelo menos por ora” – conclui o autor da Teoria, em seu recente livro entitulado “Inteligência: um conceito reformulado” (2001).

GARDNER (2001) ainda explica que as inteligências não são objetos que podem ser contados, e sim, potenciais que poderão ser ou não ativados, dependendo dos valores de uma cultura específica, das oportunidades disponíveis nessa cultura e das decisões pessoais tomadas por indivíduos e/ou suas famílias, seus professores e outros.

Capital Espiritual

Uma nova visão de capitalismo e negócios está ingressando rapidamente na sociedade, deixando cada vez mais evidente que é insustentável o foco imediatista do capitalismo tradicional, em que valem apenas os resultados financeiros e metas de venda do próximo trimestre, bem como as suas hipóteses básicas sobre o ser humano, basicamente motivado por dinheiro e essencialmente egoísta. As atividades de comércio e trocas tem mais de 40.000 anos, ao passo que o capitalismo tem 200 anos. Há algo a aprender com isto? O lado positivo da globalização é que os negócios podem transcender os governos, os políticos e as religiões. A globalização nos faz apreciar melhor outras culturas, dando a chance de construir mais capital espiritual.

Existem três tipos de capital nas organizações:

  • Material: basicamente patrimônio e dinheiro, assegurando os recursos físicos do empreendimento
  • Social: indica quão felizes e seguros nos sentimos, levando a uma alta confiança e qualidade de vida
  • Espiritual: representado pelo montante de significado, alinhamentos e de servir aos clientes e globalmente aos seres humanos

Se avaliarmos as crises pelas quais estamos passando, podemos resumi-las a uma crise de significado, portanto uma crise espiritual.

Assim como há diferentes tipos de capital, há também três tipos de inteligência:

  • Material: muito ligada à visão tradicional do QI – Quociente Intelectual
  • Social: ligada ao QE – Quociente Emocional, a habilidade de se adaptar às situações diversas. Tem em Daniel Goleman seu principal disseminador. Sem o QE você não pode usar bem seu QI.
  • Espiritual: é o QS, ligado a nossa necessidade de significado, de propósitos reais e valores mais elevados, que são as questões fundamentais da vida. Quando não temos significado, nós ficamos doentes. O QS integra o QE e o QI, sendo a fundação necessária para o funcionamento eficiente da inteligência intelectual e emocional.

Quais são as qualidades da inteligência espiritual?

  1. Auto – consciência – sei quem sou? O que quero? Pelo que quero morrer? Por que gosto e não gosto? Tenho tempo para refletir sobre isto? É saber que nosso self é maior que nosso ego.
  2. Motivação por visão e valores – ir além de nossos interesses e de nossa família. É praticar o idealismo que transforma o mundo
  3. Capacidade de lidar com adversidades – quão bons somos em transformar as dores em aprendizagem? Nos Estados Unidos (e também no Brasil) não se gosta de falhas, de erros, e há o pressuposto de que tudo pode ser consertado, que tudo deve ser rápido e fácil. As adversidades questionam isto.
  4. Ser holístico – capacidade de ver a conexão entre fatos, idéias, locais e épocas, é o inverso de colocar cada coisa em um compartimento separado e estanque. É o interessar-se por tudo, num mundo em que a educação é voltada à acumulação de conhecimentos e não às conexões entre as matérias. Isto também é feito no mundo do trabalho, quando se diz: Faça apenas o seu trabalho!
  5. Celebração da diversidade – é ir além de uma % de minorias em nossa empresa e de ter tolerância aos “diferentes”. Celebrar a diversidade é reconhecer que você é diferente de mim, que você tem um histórico familiar e profissional baseado em outros fundamentos, assim como a tua religião é outra, e agradecer a Deus por isto, pois você me faz confrontar e me induz a re-avaliar minhas formas de ser, de pensar e de agir
  6. Acreditar no que faz – é ter a coragem de defender nossos pontos de vista, em qualquer situação
  7. Por que devo fazer isto? – é ter a insistência de uma criança de 4 anos de idade que pergunta “por que?”. Por que não posso fazer diferente? É preciso questionar o sistema, o jeito com que as coisas sempre foram feitas. As perguntas abrem, ao passo que as respostas fecham
  8. Habilidade de conter-se – sempre que vemos o quadro maior devemos equilibrar nossos desejos e aspirações individuais com os do todo
  9. Espontaneidade – é a habilidade de responder com o coração para quem está à nossa frente, sem preconceitos. É também assumir nossa responsabilidade pessoal, não se colocando como vítima ou colocando a culpa nos outros pelo que nos acontece
  10. Compaixão – é o sofrer com, é curar a alegria e dor dos outros, é estender a compaixão a todo o Universo. É o reconhecimento de que nós sempre existimos, desde o Big Bang, que dentro de nosso cérebro e corpo estão o DNA e a história inteira da humanidade

Quando vemos estas qualidades da inteligência espiritual, podemos perguntar: não são estas as competências essenciais em nossas organizações?

O papel das empresas é nutrir e abrir espaço para as pessoas usarem as suas inteligências espirituais, possibilitando assim o surgimento do “ser humano”, realizando desta forma os capitais materiais, sociais e espirituais.

Danah encerra dizendo que se ela puder deixar uma única e simples mensagem para nutrir a experiência espiritual, esta é “fazer perguntas, perguntar sempre o por que?”

(Uma transcrição de anotações da palestra de Danah Zohar e observações de Gustavo G. Boog.)

Referências