Sword of Wisdom - Ithell Colquhoun: mudanças entre as edições

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Por que eu não confiei essa experiência ao meu primo e pedi seu conselho? Eu não sei! Talvez eu tivesse medo de me dizerem que  
Por que eu não confiei essa experiência ao meu primo e pedi seu conselho? Eu não sei! Talvez eu tivesse medo de me dizerem que  
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sempre estava imaginando coisas e essa era uma delas; os artistas se familiarizam demais com observações desse tipo, e Edward podia ser secamente sarcástico em ocasiões. Qualquer que seja meu motivo para o silêncio, não disse nada a ninguém.
sempre estava imaginando coisas e essa era uma delas; os artistas se familiarizam demais com observações desse tipo, e Edward podia ser secamente sarcástico em ocasiões. Qualquer que seja meu motivo para o silêncio, não disse nada a ninguém.


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sua casa no campo. Lá ele poderia observar alguém em condições do dia-a-dia; Jack e Margot passavam a maior parte dos fins de semana lá, às vezes também semanas seguidas, juntos ou separadamente.
sua casa no campo. Lá ele poderia observar alguém em condições do dia-a-dia; Jack e Margot passavam a maior parte dos fins de semana lá, às vezes também semanas seguidas, juntos ou separadamente.


A fórmula básica para tais estabelecimentos é simples: adquira uma casa grande com jardim, também uma esposa obediente e trabalhadora e/ou uma seleção de concubinas com qualidades semelhantes; depois, colete discípulos de ambos os sexos dispostos não apenas a pagar por sua manutenção, mas a trabalhar por ela. (Você recomenda o trabalho em casa e no jardim por seu valor terapêutico, mas isso também economiza a despesa de contratar funcionários.) A fórmula foi usada com sucesso por vários anos no início deste século por "Monsieur Gurdjieff" em Fontainebleau; por Crowley (mais brevemente) em sua Abadia de Thelema, Cefalu, no início dos anos vinte, e por P. D. Ouspensky nos anos trinta, quando ele ocupou pelo menos duas propriedades diferentes nos condados de origem. Para expandir a observação cínica de que "atrás de todo professor ocidental está uma pensão ou um bordel", eu colocaria Meredith e Ouspensky na primeira categoria; mas se os relatórios dos internos são precisos, havia pelo menos elementos do segundo chez MM. Gurdjieff e Crowley.
Meredith parecia ter feito um bom começo para colocar sua versão da fórmula em prática. Em um dia frio de novembro, ele e Jack me encontraram com um carro surrado na estação mais próxima de Frogmore. A cabeça de Meredith era maior do que se esperaria de sua estrutura frágil, e careca, exceto por uma borda de cabelo escuro ao nível das orelhas; sua pele era de um tom ceroso, seus olhos grandes e azul-acinzentados. Sem o olhar fixo do pseudo-ocultista, eles ainda eram sua característica mais marcante.
Frogmore provou ser uma casa de tijolos vermelhos situada em terreno inclinado; a atmosfera da propriedade me atingiu imediatamente como sombria, o interior não menos. A sala de jantar era sombriamente revestida e quase sem iluminação; todos nós nos sentamos em uma longa mesa com Meredith à cabeça. A dieta, estritamente reformista alimentar, estava longe de ser a deliciosa comida que a comida vegetariana pode e deve ser: lembro-me de uma sopa sem gosto com algo parecido com grãos de cevada em suspensão, também folhas inteiras de repolho cozido como linóleo escuro. Não sei por que eles não poderiam ter sido picados, temperados e servidos com um molho apetitoso: talvez isso destruísse sua virtude? A alimentação e a gestão da casa estavam a cargo da Sra. Starr e de sua irmã, almas bondosas e trabalhadoras que
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provavelmente tinham que se virar com um orçamento escasso que testaria o mais experiente dos cozinheiros. Não creio que muita coisa passasse para elas através de Meredith. Havia também vários residentes semi-permanentes, todos mais ou menos neuróticos, que ajudavam e sem dúvida eram ajudados em troca.


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Os recém-chegados, via de regra, passavam o primeiro dia na cama - para um relaxamento completo, conforme Meredith explicava. Todos os dias, ao amanhecer, ao meio-dia e à noite, uma hora era dedicada à meditação quando todos os membros da casa, na medida do possível, se retiravam para seus quartos e deitavam-se em suas camas com tapete e bolsa de água quente. O aquecimento não subia além do térreo, não havia meio algum de aquecer os quartos menores e as velas forneciam sua única iluminação. Jack, como residente de longa data, recebeu um ou dois pequenos sótãos, ainda mais austeros, sobre a antiga casa de carruagens.
 
Meu quarto era frio, apertado e desgastado; quando mais tarde eu descrevi para Margot, "Muito simples", ela murmurou com um olhar distante. Mas é simples quando toda a água precisa ser transportada, o banheiro está a um longo caminho por um corredor assustador e o único calor vem de garrafas quentes? É um banheiro de composto no jardim que precisa ser esvaziado periodicamente realmente mais simples do que a drenagem principal? Ou, ao invés, a ausência de conveniências modernas, não torna a administração da casa menos simples do que se as coisas fossem organizadas com um pouco de bom senso? Suspeito que hoje algumas garotas hippie, depois de se integrarem entusiasticamente a uma comuna, aprendam esse mesmo fato da maneira difícil. A vida pode ser simples para seus homens se eles fazem pouco além de discutir o que chamam de filosofia, mas e quanto às mulheres? Manter-se mesmo relativamente aquecido, limpo e alimentado em condições primitivas é mais difícil do que em ambientes mais 'quadrados'. (A propósito, quão desatualizada é muita ideologia hippie quando se trata de considerar as mulheres como seres humanos! Ou de não as considerar de todo.)
 
No entanto, eu tinha vindo apenas para um fim de semana e passei devidamente o primeiro dia na cama. Durante as horas de meditação, minha mente previsivelmente vagava, mas, como Meredith sugeriu, voltei minha atenção para a ideia de relaxamento. Ele veio ver como eu estava indo, e deu conselhos em seus tons habituais e calmos enquanto se sentava na cama afundando. Eu tinha pouco a relatar. No período da noite, ele não me visitou - não, pelo menos em pessoa; mas quando a breve luz do dia se apagou, senti mais uma vez o início do misterioso Poder do Y. Foi reconhecivelmente
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a mesma sensação, embora menos intensa, que senti quando fui examinado para ser membro do ''A∴O∴''  Fiquei de lado mentalmente, observando, mas nada mais aconteceu. A força foi gradualmente retirada ou dispersa e eu voltei à consciência normal e finalmente adormeci.
 
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Edição das 18h11min de 27 de julho de 2023




ITHELL COLQUHOUN
Espada da Sabedoria
MacGregor Mathers
e “A Aurora Dourada”

'...les deux mains appuyées
Sur Pépée de la sagesse
En intimité avec les astres et les pierres
Amoureux des cavernes de Vhomtne
Du ventre de Vunivers?
Du Haut de Montserrat'
(Georges Bataille et André Masson)

...ambas as mãos apoiadas
Na espada da sabedoria
Em intimidade com as estrelas e as pedras
Amante das cavernas do homem
Do ventre do universo?
Do alto de Montserrat
(Georges Bataille e André Masson)


Capa.png


UM IMPORTANTE NOVO LIVRO PARA TODOS

OS ESTUDANTES SÉRIOS DE
LITERATURA OCULTA, COM
NOVAS PERSPECTIVAS SOBRE
A ORDEM HERMÉTICA DA
AURORA DOURADA




DEDICATÓRIA
Em memória da
ORDEM HERMÉTICA DA AURORA DOURADA
(Fundada em 1888)
Die Goldene Dämmerung
L'Aube Dorée
Aurora
'E 'Eos Chryse
Chabrat Zerech Aur Bocher



Primeira Edição Americana 1975
Direitos autorais © 1975 por Ithell Colquhoun





SBN: 899-11534-8
Número do Cartão de Catálogo da Biblioteca do Congresso: 75-21919


Primeira Edição Brasileira 2023
TRADUZIDO NO BRASIL






A AUTORA

Por Alexandre Nascimento, tradutor

Ithell Colquhoun (1906 - 1988) foi uma artista e escritora britânica conhecida principalmente por seu trabalho como pintora surrealista. Além disso, ela também é lembrada por suas contribuições para a literatura ocultista.

Colquhoun nasceu em Shillong, na Índia, mas mudou-se para o Reino Unido ainda jovem. Ela estudou na Slade School of Fine Art, em Londres, e durante a década de 1930 tornou-se associada ao movimento surrealista. Sua arte é caracterizada por imagens oníricas e simbolismo oculto, muitas vezes explorando temas relacionados à mitologia, ao misticismo e à magia.

Paralelamente ao seu trabalho como artista, Colquhoun também escreveu extensivamente sobre o ocultismo. Ela tinha um profundo interesse em magia cerimonial, alquimia e a Cabala, e era membro de várias ordens ocultas, incluindo a Ordem Hermética da Aurora Dourada e a O.T.O. (Ordo Templi Orientis). Ela escreveu vários livros sobre esses tópicos, incluindo "Sword of Wisdom: MacGregor Mathers and the Golden Dawn".

Colquhoun é lembrada hoje tanto por sua arte quanto por suas contribuições para a literatura ocultista. Seu trabalho combina um senso agudo de composição e técnica com um profundo interesse pelo misticismo e o esotérico, tornando-a uma figura única no mundo da arte surrealista e na comunidade ocultista.




AGRADECIMENTOS
Gostaria de agradecer com muitos agradecimentos a todos que me forneceram material para este livro, particularmente:

Dr. Oliver Edwards, por me mostrar cartas de Miss Horniman e Sra. Rand; e por informações sobre Max Dauthendey.
Dr. Ian Fletcher e a Biblioteca da Faculdade de Letras e Ciências Sociais (Departamento de Língua e Literatura Inglesa) na Universidade de Reading para informações sobre Florence Farr.
Dr. G. M. Harper da Universidade Estadual da Flórida, EUA, por cartas dos MacGregor Mathers para W. B. Yeats.
Dr. Francis I. Regardie, por muitas informações e incentivo.
Senador Michael B. Yeats e Miss Anne Yeats por me permitir usar material inédito de W. B. Yeats da Biblioteca Nacional da Irlanda; e por permissão para citar 27 linhas de 'A Vision', 8 linhas de 'The Double Vision of Michael Robartes', 2 linhas de 'Hound Voice', 6 linhas de 'All Souls' Night', 6 linhas de 'His Memories' e 3 linhas de 'Sailing to Byzantium', todas de The Collected Poems of W. B. Yeats, cortesia de Macmillan de Londres e Basingstoke e Macmillan Co. do Canadá. Também para citar 29 palavras de 'A Letter from W. B. Yeats to John O'Leary', das cartas de W.B. Yeats, cortesia de Hart-Davis, MacGibbon Ltd.
Sou grata a Antony Borrow (notas sobre Charles Williams), parentes da falecida Sra. Boyd que não desejam ser mais identificados, G. H. Brook e G. Rhodes ('The Box on the Beach'), Miss Dorothy Emerson (Secretária Geral da Sociedade Teosófica na Irlanda), Tom Greeves e R. S. Colquhoun (Bedford Park), Paul Henderson (diagrama do horóscopo de MacGregor Mathers), as obras de Dr. Serge Hutin sobre alquimia, Gerald Yorke por conselhos ao longo dos anos, vários amigos Maçônicos e Frater X, que prefere permanecer 'sob a Rosa'.
Também à equipe das Bibliotecas Públicas de Bournemouth, Penzance e Poole; e ao Warburg Institute, Londres.

CONTEÚDO

Agradecimentos 5
Sobre o Retrato de Deo Duce Comite Ferro (Poema de Ithell Colquhoun, 1970) 12
PARTE I. AUTOBIOGRAFIA
Capítulo I. Ligações 15
II. Chefes (1) 23
III. Chefes (2) 32
IV. Imagens 40
PARTE II. BIOGRAFIA
Capítulo V. Vestígios 49
VI. Uma Espada: Fato (1) 60
VII. Uma Espada: Fato (2) 73
VIII. Uma Espada: Fato (3) 83
IX. Uma Espada: Fato (4) 96
X. Uma Espada: Ficção 108
PARTE III. ORGANISMO
Capítulo XI. Raízes 117
XII. Crescimento Regular 131
XIII. Legítima Prole: 144
Allan Bennett; Dr. Edward W. Berridge; Dr. John W. Brodie-Innes; Mabel Collins; Florence Farr; Maud Gonne; Annie E. F. Horniman; Sir Gerald F. Kelly; William Sharp; Alfred P. Sinnett; Dr. William Wynn Westcott; Dr. William R. Woodman; William B. Yeats
Capítulo XIV. Disseminação Dissidente:
De Ahathoor 179
XV. Disseminação Dissidente:
De Ísis-Urania (1) 190
XVI. Disseminação Dissidente:
De Ísis-Urania (2) 190
XVII. Desvios Sinistros:
Algernon Blackwood; Aleister Crowley; Dr. Robert W. Felkin; Violet Μ. Firth; William T. Horton; Arthur Machen; Edith Nesbit; Evelyn Underhill; Arthur E. Waite; Charles W. S. Williams 209
PARTE IV. LEGADO
Capítulo XVIII Magia 243
XIX. Enochiana 254
XX. Alquimia 269
XXI. tantra 285
Elegia à Ordem Hermética da Aurora Dourada (Fundada em 1888) (Poema de Ithell Colquhoun, 1955) 298
Índice 301

Projeto Livros Não Nascidos
Este projeto representa uma obra de amor e dedicação que trazer à materialidade livros importantes não nascidos. Todos os textos reunidos até agora, bem como todos os futuras têm como objetivo expor os estudantes interessados às informações ocultistas. Lançamentos futuros incluirão submissões de usuários como VOCÊ. Para alguns de nós, chegou a hora de mobilizar. Se você tem interesse em auxiliar neste processo - todos nós temos forças para trazer à mesa. Não hesite em enviar um e-mail para daemonos@ocultura.org.br



LISTA DE ILUSTRAÇÕES Mathers em trajes mágicos Frontispício
Moina MacGregor Mathers frente à página 32 Local de nascimento de Mathers 33 A igreja onde ele foi batizado 33 Vicariato do Rev. W. A. Ayton 64 A casa de Mathers e sua mãe no início dos anos 1880 64 Rob Roy MacGregor 65 Horus — colagem de Moina 96 Néftis — colagem de Moina 97 Aleister Crowley e seu filho, Gair, 1938 128 Aleister Crowley com Lady Harris, 1941 128 Florence Farr na estreia de Uma Idílio Siciliano 129 Annie Horniman 129 Página de A Kabbalah Revelada 160 Cabeçalho de uma palestra por E. J. L. Garstin 161 Diagrama de Divindades Celtas 192 Diagrama da Árvore da Vida 193 Duas inscrições de Aleister Crowley 241 Os Ritos de Elêusis 243 Certidões de Nascimento e Morte de Mathers 276 Rei James IV da Escócia 277



PARTE I - AUTOBIOGRAFIA

NO RETRATO DE
DEO DUCE COMITE FERRO

Você vem até mim no solstício de inverno, você vem
Como um barco que atinge o nadir da noite e vira
O leme para o leste, do sul. Por cinquenta anos
Você jaz em um caixão pintado, uma cripta desordenada

Eu levanto a tampa, desenrolo um envoltório de seda
E não encontro um esqueleto humano, mas uma espada
Um cadáver transmutado me lega este sinal
Com granada cintilando sombriamente na cruz

Brumas de nácar nublam o céu egípcio
E logo um escaravelho escuro voará para cima
Como um falcão, o sol escondido dourando suas asas
E, senhor dos dois horizontes, retomará o meio-dia.

[p 15]

CAPÍTULO UM - Ligações

Eu era uma estudante sentada em um assento de banheiro e me inclinava para frente para ver as profundezas de uma cesta de vime forrada com jornais. As páginas impressas em letra miúda continham um artigo escrito por uma jovem mulher que visitava uma Abadia na Sicília e descrevia as estranhas ocorrências lá. O diretor do local era alguém a quem ela chamava de "O Místico", mas não o identificava de outra forma; e sua Abadia estava longe de ser um estabelecimento monástico comum. Fiquei ali até ter lido as duas ou três grandes páginas, apesar do imperioso barulho na porta.

Quando saí do banheiro, minha mãe tomou meu lugar lá, e ela também deve ter olhado para dentro da cesta de roupas sujas, pois ela emergiu mais tarde em uma fúria. Como ousei passar tanto tempo lendo lixo? Qual era o uso de uma boa educação se eu desperdiçava meus talentos em preocupação com o mais baixo dos baixos? E ocupando o banheiro por vinte minutos enquanto outras pessoas esperavam! Ela continuou a falar, embora sem realmente mencionar a história do jornal, muito menos explicar o que ela achava repreensível nela. Ela se sentia culpada por ter lido e talvez gostado dela mesma? Eu sabia melhor do que perguntar, mas minha opinião sobre sua inteligência caiu para um novo mínimo.

O que provocou todo esse disparate? O revelador relato de Betty May da agora famosa Abadia de Thelema, nada menos. O jornal deve ter sido o Sunday Express em alguma data de fevereiro ou março de 1923; Eu entendi pelo que li que o artigo era um de uma série e desde então ouvi dizer que havia três no total. Eu suponho que o nome de Aleister Crowley figurava em alguma manchete pois eu nunca esqueci isso, embora naquela época eu não soubesse de sua conexão anterior com a Ordem da Aurora Dourada, nem mesmo da existência da Ordem em si.

[p 16]

Tornei-me consciente disso um ou dois anos depois, quando descobri pela primeira vez as obras em prosa de W. B. Yeats. Em seus primeiros ensaios, alguns dos quais foram publicados como Ideias de Bem e Mal, encontrei frases intrigantes como 'Quando estive com alguns Hermetistas' ou 'com alguns Martinistas'; também fascinantes notas de rodapé para poemas e peças, que tanto ocultavam quanto revelavam uma tradição de conhecimento oculto - e acredito que foi em uma dessas que me deparei pela primeira vez com o nome da Ordem. Tentei encontrar mais detalhes, mas sem sucesso. Enquanto isso, estudei todos os textos alquímicos que pude encontrar; meu primeiro trabalho publicado, A Prosa da Alquimia, apareceu na revista de G. R. S. Mead, The Quest, enquanto eu ainda estava na escola.

Não foi até eu morar em Londres como estudante na Slade School que fiz algum progresso. Através da revista do Sr. Mead, entrei em contato com a Sociedade Quest, da qual, quando me juntei, era o membro mais jovem - movimentos esotéricos não eram então moda entre os jovens. O Sr. Mead era o Presidente e geralmente presidia as reuniões; em aparência, ele era uma versão florida da estátua de Paul Verlaine nos Jardins de Luxemburgo. Os Questers se reuniam em dois grandes estúdios na Clareville Grove, localizada entre as estações de Gloucester Road e South Kensington. Esta toca de estúdios foi muito revirada durante o bombardeio de Londres e desde então foi substituída por um bloco de apartamentos. Naquela época, um dos estúdios da Sociedade servia como sala de conferências, o outro como uma biblioteca de empréstimo de livros ocultos. O aluguel era subsidiado pela Sra. Charlotte Shaw (esposa de G.B.S.), que era membro, embora visitante pouco frequente. Seu marido, eu entendi, não estava interessado.

Comecei a pegar dicas obscuras sobre as atividades de certos membros (não especificados), dos quais outros suspeitavam. Os rumores giravam em torno de um terceiro estúdio, situado além do que era usado como biblioteca, e seu principal disseminador era a bibliotecária, uma senhorita Worthington. Havia sussurros sobre magia negra, uma frase ainda mais emotiva naquela época do que é hoje. Os membros não eram todos do calibre da Srta. Worthington, entretanto; eles incluíam Dr. Moses Gaster, o eminente hebraísta, cuja filha mais nova era minha contemporânea na Slade; Hugh Schonfield, cujas preocupações acadêmicas não impediram que ele fundasse mais tarde A República Mondcivitan; Dr. W. B. Crow, Grão-Mestre da Ordem da Santa Sabedoria e autor e palestrante sobre temas tradicionais;

[p 17]

Margaret L. Woods, a poetisa eduardiana; Gerard Heym, o estudioso e bibliófilo e Edward Langford Garstin, que era secretário da Sociedade, seus tratados alquímicos, Teurgia e O Fogo Secreto, ainda não publicados.

Desde criança, eu tinha ouvido falar de um primo distante chamado Eddie Garstin, então uma noite eu reuni a coragem para perguntar a ele sobre uma possível parentesco. Descobrimos assim cada um uma relação até então desconhecida e, apesar de uma grande diferença de idade, nos tornamos bons amigos. Edward então dividia um apartamento com sua mãe viúva na 53, Bassett Road, W.io.; O templo dissidente do Dr. Felkin estava localizado em algum lugar nesta rua, talvez nesta mesma casa, e persistiu até o início dos anos 1920 em diferentes endereços - embora eu não soubesse de nada disso na época.

Edward foi muito gentil em me emprestar livros e devo o meu primeiro conhecimento Qabalístico à sua elucidação de The Kabbalàh Unveiled, de S. L. MacGregor Mathers. Eu sempre achei sua conversa interessante, pontuada como era pelos comentários não muito inteligentes de sua mãe ao fundo. Sua sala de estar, mobiliada com peças de dias mais prósperos e retratos de família em molduras de ouro, era abafada e mal aquecida. Edward não tinha um emprego regular e dedicava suas energias ao ocultismo - um trabalho que é "nem pago nem elogiado", como Yeats nos lembra. Divorciado de sua primeira esposa, ele se viu responsável, financeira e psicologicamente, por sua mãe. Quando estava saindo de sua casa em uma ocasião, ele fez um comentário que depois lembrei com curiosidade:

"Tenho uma velha amiga em Chelsea: gostaria que você a conhecesse algum dia. Gosto muito dela e ela se interessa muito pelos nossos assuntos." (Falávamos de assuntos ocultos como 'nossos assuntos' para que nos entendêssemos, enquanto deixávamos os profanos - caso houvesse algum por perto - sem iluminação.) Claro, eu respondi que ficaria encantada; mas Edward não voltou ao projeto por algumas semanas.

Comecei a notar certas peculiaridades de temperamento com mais atenção: ele às vezes usava um ar de conhecimento superior, como se tivesse recebido uma herança mental negada aos outros. Ele gostava de um mistério: cuidadoso em insinuar a existência de uma fonte oculta, ele era igualmente cuidadoso em camuflar sua natureza. Ele poderia ser dogmático em pontos que, humanamente falando, pareciam demasiado rebuscados para dogmas; e ele afirmava como verdades o que para mim eram fantasias ou, no melhor

[p 18]

dos casos, especulações. Sua mãe o adorava, tendo fé completa em seu julgamento e habilidade geral. Por fim, eles admitiram que eram membros de uma sociedade secreta, mas me proibiram de divulgar o fato a qualquer pessoa.

Perguntei-lhes se outros que frequentavam a Sociedade Quest também eram membros deste grupo oculto e me disseram que nenhum deles era. (Isso não era estritamente verdade, como descobri muito mais tarde.) Por outro lado, vários deles sabiam da afiliação dos Garstins e desaprovavam silenciosamente.

"Espero que você possa se tornar um de nós algum dia", lembro-me de Edward dizer. "Você vê, nós trabalhamos muito com cores - como artista, você acharia muito interessante."

"Tenho certeza de que sim; estou ansiosa para ouvir mais."

"Esse é o problema: há muito pouco que você pode ser informada até que você seja realmente iniciada."

Referências à fraternidade oculta se tornaram mais frequentes nas conversas dos Garstins: frases como "Sabemos de uma certa fonte..." ou "Há um ensinamento para o efeito de que..." recorriam, assim como a menção de várias personalidades enigmáticas: A.V. era um, 'a Baronesa' outro; e menos frequentemente, 'os Chefes Secretos' faziam uma aparição tentativa. Edward desviava minhas perguntas com "Mais tarde você pode saber".

Embora costumássemos discutir os livros que tínhamos lido, as palestras que tínhamos ouvido na Quest, as personalidades que conhecemos lá e outras pessoas que os Garstins conheciam no passado ou ainda conheciam, senti que a fraternidade não divulgada era a base da vida de Edward e, a uma distância, também da de sua mãe. Lembro-me dos títulos de vários livros que eram constantemente mencionados - ou mesmo recomendados à minha atenção, como lembro, embora um, como aprendi depois, era um documento da Ordem. Além de The Kabbalah Unveiled, eles eram The Book of the Concourse of the Forces, The Book of the Revolutions of Souls (um tratado zoharic sobre reencarnação) e o alquímico Aesch Metzareph (Fogo Purificador), uma obra Qabalística ainda mais abstrusa.

Tais livros eram, eu entendia, o tipo de coisa que os iniciados estudavam, e eu deveria fazer o mesmo se quisesse me preparar para me juntar a eles. The Kabbalah Unveiled pelo menos eu tenho estudado desde aquele tempo, e possuo uma cópia com as notas eruditas de Edward cuidadosamente anotadas nas margens.

Certa noite, após uma palestra, Edward

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entregou-me um cartão rabiscado com um endereço, pedindo-me para reservar a próxima quarta-feira para conhecer um amigo seu. Ele não deixou claro que se tratava do grande amigo que havia mencionado anteriormente e não tive a oportunidade de perguntar mais.

No dia marcado, procurei o endereço na Elm Park Road, S.W.10. Tive alguma dificuldade em encontrar a casa, pois os números pareciam estranhamente dispostos - acho que procurava o número 26. Finalmente, estava subindo os degraus de uma fachada georgiana branca e puxando uma campainha antiga. Fui atendido imediatamente por um mordomo, magro, grisalho e sorridente.

'Posso ver', olhei para o cartão, 'a Sra. Evan Weir?'
'Ela está esperando você?'
'Sim.'
'Por aqui, por favor.'

Logo dentro da porta havia uma escada, um tanto escura; enquanto subíamos, o som de uma conversa animada vinha de uma sala acima. Entrei, chamando a atenção por minha chegada tardia, meu nome anunciado pelo mordomo. Os Garstins vieram ao meu encontro e me apresentaram à anfitriã, depois a um homem da idade de Edward e a uma garota de aparência sólida um pouco mais velha que eu. O homem deve ter sido o Major Lewis Hall, mas não tenho ideia de quem era a garota. A conversa era geral e deliberadamente trivial; não houve discussão sobre "nossos assuntos" - para minha surpresa, pois agora adivinhava onde estava. Eu não percebi que este chá da tarde era o equivalente aos fins de semana sociais nos quais os candidatos à promoção nos Serviços (e em algumas empresas) são convidados - com a teoria de que as pessoas se revelam mais completamente quando não precisam "fazer" nada, apenas "ser".

O ambiente da sala (e de fato, de toda a casa) era peculiar; a cor suave e sombria das paredes e cortinas contribuía para isso, embora a disposição fosse de bom gosto e projetada para combater de maneira espaçosa a opressão de um teto muito baixo. Julguei que os móveis eram bons e notei um ou dois bibelôs orientais requintados. A lareira acesa contrastava agradavelmente com o fogão a gás no apartamento dos Garstins, que sempre estava ajustado para a chama azul e não emitia calor; contudo, aqui as cortinas fechadas provocaram em mim algo diferente de um sentimento de segurança. Nas

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paredes pendiam pinturas escuras e nebulosas no estilo de G. F. Watts, agora devido para reavaliação, que naquela época não era do meu gosto. Uma delas era um grande retrato de um homem que Edward identificou para mim como o próprio MacGregor Mathers - ele sempre falou com a maior admiração de Mathers e sua esposa Moina - e acho que havia telas menores representando Adão e Eva, e um anjo. Apesar da porcelana e prata imaculadas da bandeja de chá, sobre as quais o mordomo presidia, senti a presença de teias de aranha inapreensíveis.

A Sra. Weir - como a chamarei - deve ter estado perto dos sessenta anos, seu cabelo ondulado sedosamente quase branco, embora sua pele estivesse pouco marcada. Uma figura esguia em tafetá cinza, seus movimentos eram graciosos, mas, em contraste, o timbre de sua voz era áspero, e um brilho súbito brilharia em seus olhares habitualmente lentos. Faltava ironia à digna elegância de seus modos. Em um momento, ela me perguntou: 'Você é psíquico?' e hesitei em alguma resposta não comprometedora - eu realmente não sabia se era ou não. Depois de um tempo, o homem e a garota devem ter saído e chegamos ao objetivo da minha visita. A Sra. Weir explicou que os ensinamentos da Ordem eram dados principalmente através do ritual - 'Belíssimo, belíssimo!' interveio a Sra. Garstin - e perguntei se era uma ordem Rosacruz. Houve então o que Ronald Firbank chama de 'um silêncio ocupado' - ninguém podia responder, pois nenhum Rosacruz genuíno pode reivindicar ser tal. Eu mencionei Yeats e a Sra. Weir respondeu: 'Ah, ele é um de nossos rebeldes.'

Finalmente, ela me passou uma folha de papel impressa à mão que vi ser uma forma de solicitação para ingressar na A∴O∴ Lodge da G.D. no Outer. Garantiu-me que minha O — n não conteria nada contrário aos meus deveres civis ou religiosos. Perguntei o que o O — n significava e me disseram que representava 'Obrigação', o Juramento de Sigilo que eu seria obrigado a prestar. Embora eu não tenha reconhecido na época, essas abreviações eram resquícios do uso maçônico. Eu não acho que as palavras reais, Golden Dawn, apareceram em qualquer lugar do documento, mas uma ou duas condições de adesão foram estabelecidas, sendo uma delas que os candidatos deveriam ter atingido a idade de vinte e um anos. A mais importante era que eles 'devem acreditar nos Deuses, ou pelo menos em um Ser Supremo'. Pareceu-me que essa formulação dava mais importância ao primeiro do que ao último — como Animista natural, eu não tinha problema com essa ordem de precedência, mas eu não poderia

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definitivamente me declarar crente em nenhum dos dois. Disse que estava aberto à convicção e assinei meu nome no espaço fornecido. A Sra. Weir prometeu apresentar minha solicitação aos Chefes Secretos.

Cerca de uma semana depois, recebi uma nota dela contendo apenas uma linha me dizendo que minha candidatura não havia sido aprovada. Mostrei isso ao meu primo na próxima reunião da Quest: ele, claro, já estava informado e parecia não apenas arrependido, mas embaraçado. Ele contava com a minha aceitação e não conseguia dar nenhuma razão para minha rejeição, exceto que eu ainda não estava "pronto" para a Ordem. Ele me disse antes que havia aqueles que, embora desconhecidos para mim, me conheciam melhor do que eu mesmo. Fiquei extremamente desapontado que Eles me recusaram.

Além dos possíveis Chefes Secretos, a explicação óbvia é que a Sra. Weir não gostou de mim - sem dúvida eu era ingênuo e minhas tentativas brutais de honestidade intelectual podem ter parecido deslocadas para ela. Uma mulher de sua idade pode achar difícil aceitar alguém muito mais jovem, especialmente outra mulher. Mais tarde, ouvi fofocas de que ela preferia se cercar de homens, embora não possa dizer quão verdadeiro isso era. Novamente, ela pode ter sentido que eu estava um tanto satisfeito comigo mesmo: meu talento já era reconhecido como um dos mais originais de minha geração na Slade; e embora eu tenha me abster de comentários maldosos sobre a pintura vitoriana, certamente pensei que sabia do que se tratava a arte. No entanto, não acredito que essas explicações cubram o terreno: se ela quisesse me recusar com base em seu próprio julgamento, não havia necessidade de produzir o formulário de inscrição. Acredito que ela queria me dar uma chance, mas pode não ter sido livre para decidir a questão.

Acho que Edward deve ter feito contato com a A∴O∴ Lodge logo depois que foi estabelecida, quando ele foi desmobilizado do exército após a Guerra de 1914-18. Não sei se o contato foi direto ou através da Sra. Weir ou de outra pessoa, mas sei que o rompimento de seu primeiro casamento enquanto ele estava ausente no serviço o deixou quase sem recursos, pois sua esposa era uma gastadora compulsiva. Talvez ele tenha se voltado para o ocultismo em uma recuperação emocional: em um período, acredito que ele esperava casar-se com Enid, a filha adorada da Sra. Weir. Esses três eram, tanto quanto sei, os únicos membros a alcançar o Grau de 7°=4, a menos que Margery Stuart Richardson, sobrinha da Sra. Weir, tenha feito isso mais tarde. Quando o conheci, ele se tornou um

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estudante meticuloso dos Mistérios, vivendo de maneira modesta, toda sua energia dedicada ao trabalho da Ordem e a suas próprias pesquisas. Ele e sua mãe seguiram um regime vegetariano sem álcool, combinando ascetismo com economia. No entanto, a mente dele era por natureza cética e ele ganhava a vida (quando o fazia) por vários empreendimentos comerciais: ele também era um excelente chef e tinha sido um dançarino de salão campeão, parceiro da esposa pródiga; ele não era, exteriormente, um tipo 'espiritual' de forma alguma.

Embora eu continuasse a visitar meus primos de vez em quando, uma nuvem ou melhor, uma névoa parecia ter esfriado nosso relacionamento. Uma vez Edward me pressionou a pegar emprestado sua cópia de um raro texto alquímico, uma tradução da Físio-Filosofia de Laurenz Oken, acho eu, ou pode ter sido o inédito Manual Process — que, como ouvi mais tarde, o Dr. Wynn Westcott havia permitido que alguns membros iniciais da GD copiassem. Seja qual for, quando mais tarde pedi por ele, ele negou ter tido tal obra em sua posse, embora meus próprios olhos a tivessem visto em suas prateleiras.

Eu nunca consegui penetrar no estúdio além da biblioteca em Clareville Grove.

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CAPÍTULO DOIS Chefes (1) Hesito em descartar minha rejeição com uma explicação de bom senso porque uma noite, logo após minha visita à Sra. Weir mas antes que ela me contasse sobre seu desfecho, senti uma estranha sensação enquanto adormecia. Muito tempo depois, usei isso como base para uma descrição em meu romance gótico, Goose of Hermogenes (1961), então não posso fazer melhor do que citar isso:

... como se alguém estivesse explorando-me, não fisicamente, mas em algum plano menos palpável; ou tentando me influenciar agindo diretamente sobre minha vontade sem os meios normais de palavras ou outras sugestões. Uma vez, a impressão de ataque ou invasão psíquica era tão forte que precisei de toda a minha força para resistir. No entanto, minha vontade estava instintivamente definida para a resistência, pois senti que a menos que eu tivesse sucesso nisso, seria irremediavelmente arrastada. Uma espécie de paralisia se abateu sobre meus membros enquanto eu lutava; e tanta energia foi drenada de minha forma física que me encontrei por algum tempo incapaz de me mexer?

A única modificação que eu faria no acima seria deixar de fora a palavra 'ataque', embora eu ache justo reter 'invasão'. Eu não senti nem medo nem hostilidade em relação à influência, seja lá o que fosse - suponho que, porque não era antagonista para mim, apenas inquisitiva. Parecia impessoal: posso chamá-la de influência cinza? Não tive impressão de individualidade por trás dela, embora me lembre de algo como um som 'interior' ou vibração distante. Daqui em diante, vou chamá-la de Poder de Y. Curiosamente, eu não o conectei imediatamente com o A∴0 ou seus Chefes Secretos: só depois de receber a nota de recusa comecei a fazê-lo. Antes disso, eu mal levava os Chefes Secretos a sério.

Por que eu não confiei essa experiência ao meu primo e pedi seu conselho? Eu não sei! Talvez eu tivesse medo de me dizerem que

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sempre estava imaginando coisas e essa era uma delas; os artistas se familiarizam demais com observações desse tipo, e Edward podia ser secamente sarcástico em ocasiões. Qualquer que seja meu motivo para o silêncio, não disse nada a ninguém.

Não muito tempo depois, para desgosto da Srta. Worthington e de muitos outros membros, o Sr. Mead decidiu dissolver a Sociedade Quest e dedicar seus dias restantes ao Espiritismo. Esses dias não foram muitos: ele se mudou para as Ilhas do Canal — seguindo os passos de Victor Hugo? — e morreu lá depois de passar cerca de um ano em comunhão com seus supostos sábios chineses. A biblioteca foi vendida e a locação dos estúdios foi abandonada; Edward começou um pequeno grupo chamado The Search Society, mas era apenas uma sombra do corpo principal. Eu fui membro dele até sair da Slade, uma vez me dirigindo a ele sobre "A Conexão entre Blasfêmia e Misticismo"; depois disso, fui para o exterior para mais estudos e perdi contato com os Garstins e seus Buscadores.

Foi cerca de seis anos depois, depois que retornei a Londres e montei meu estúdio lá, que encontrei novamente o Poder de Y. O casal que morava ao lado de mim, a quem vou chamar de Jack e Margot, falava muito de um professor-curandeiro cujas ministrações eles achavam úteis: ele tinha o nome um tanto poético demais de Meredith Starr. Eu não sabia então (nem, talvez, eles) que este era o nome de caneta, agora usado para todos os propósitos, de um tal Herbert H. Close que havia sido associado a Aleister Crowley no conselho editorial do Equinox em 1912; alguns versos dele apareceram em seu No. VII quando ele deve ter sido um jovem. Lembro-me de Jack me dizendo que em um livro de poemas de Meredith as dedicatórias afetuosas haviam sido riscadas — assim como, sem dúvida, suas amizades originárias. Crowley estava entre os últimos: Superna Sequor era o lema mágico do Sr. Close na dissidente Ordem do Argenteum Astrum (= Estrela de Prata).

Não descobri se Meredith estava, antes de sua associação com Crowley, conectado com a GD ou qualquer uma de suas outras dissidências. De qualquer forma, meus vizinhos não o apresentaram como um ocultista, mas sim como um psicoterapeuta autônomo, alguém que poderia 'organizar as coisas', ajudar a 'encontrar a si mesmo' e geralmente desembaraçar os novelos emaranhados da personalidade. Eles me incentivaram a consultá-lo e eu concordei; isso implicava ir ficar em Frogmore,

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sua casa no campo. Lá ele poderia observar alguém em condições do dia-a-dia; Jack e Margot passavam a maior parte dos fins de semana lá, às vezes também semanas seguidas, juntos ou separadamente.

A fórmula básica para tais estabelecimentos é simples: adquira uma casa grande com jardim, também uma esposa obediente e trabalhadora e/ou uma seleção de concubinas com qualidades semelhantes; depois, colete discípulos de ambos os sexos dispostos não apenas a pagar por sua manutenção, mas a trabalhar por ela. (Você recomenda o trabalho em casa e no jardim por seu valor terapêutico, mas isso também economiza a despesa de contratar funcionários.) A fórmula foi usada com sucesso por vários anos no início deste século por "Monsieur Gurdjieff" em Fontainebleau; por Crowley (mais brevemente) em sua Abadia de Thelema, Cefalu, no início dos anos vinte, e por P. D. Ouspensky nos anos trinta, quando ele ocupou pelo menos duas propriedades diferentes nos condados de origem. Para expandir a observação cínica de que "atrás de todo professor ocidental está uma pensão ou um bordel", eu colocaria Meredith e Ouspensky na primeira categoria; mas se os relatórios dos internos são precisos, havia pelo menos elementos do segundo chez MM. Gurdjieff e Crowley.

Meredith parecia ter feito um bom começo para colocar sua versão da fórmula em prática. Em um dia frio de novembro, ele e Jack me encontraram com um carro surrado na estação mais próxima de Frogmore. A cabeça de Meredith era maior do que se esperaria de sua estrutura frágil, e careca, exceto por uma borda de cabelo escuro ao nível das orelhas; sua pele era de um tom ceroso, seus olhos grandes e azul-acinzentados. Sem o olhar fixo do pseudo-ocultista, eles ainda eram sua característica mais marcante.

Frogmore provou ser uma casa de tijolos vermelhos situada em terreno inclinado; a atmosfera da propriedade me atingiu imediatamente como sombria, o interior não menos. A sala de jantar era sombriamente revestida e quase sem iluminação; todos nós nos sentamos em uma longa mesa com Meredith à cabeça. A dieta, estritamente reformista alimentar, estava longe de ser a deliciosa comida que a comida vegetariana pode e deve ser: lembro-me de uma sopa sem gosto com algo parecido com grãos de cevada em suspensão, também folhas inteiras de repolho cozido como linóleo escuro. Não sei por que eles não poderiam ter sido picados, temperados e servidos com um molho apetitoso: talvez isso destruísse sua virtude? A alimentação e a gestão da casa estavam a cargo da Sra. Starr e de sua irmã, almas bondosas e trabalhadoras que

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provavelmente tinham que se virar com um orçamento escasso que testaria o mais experiente dos cozinheiros. Não creio que muita coisa passasse para elas através de Meredith. Havia também vários residentes semi-permanentes, todos mais ou menos neuróticos, que ajudavam e sem dúvida eram ajudados em troca.

Os recém-chegados, via de regra, passavam o primeiro dia na cama - para um relaxamento completo, conforme Meredith explicava. Todos os dias, ao amanhecer, ao meio-dia e à noite, uma hora era dedicada à meditação quando todos os membros da casa, na medida do possível, se retiravam para seus quartos e deitavam-se em suas camas com tapete e bolsa de água quente. O aquecimento não subia além do térreo, não havia meio algum de aquecer os quartos menores e as velas forneciam sua única iluminação. Jack, como residente de longa data, recebeu um ou dois pequenos sótãos, ainda mais austeros, sobre a antiga casa de carruagens.

Meu quarto era frio, apertado e desgastado; quando mais tarde eu descrevi para Margot, "Muito simples", ela murmurou com um olhar distante. Mas é simples quando toda a água precisa ser transportada, o banheiro está a um longo caminho por um corredor assustador e o único calor vem de garrafas quentes? É um banheiro de composto no jardim que precisa ser esvaziado periodicamente realmente mais simples do que a drenagem principal? Ou, ao invés, a ausência de conveniências modernas, não torna a administração da casa menos simples do que se as coisas fossem organizadas com um pouco de bom senso? Suspeito que hoje algumas garotas hippie, depois de se integrarem entusiasticamente a uma comuna, aprendam esse mesmo fato da maneira difícil. A vida pode ser simples para seus homens se eles fazem pouco além de discutir o que chamam de filosofia, mas e quanto às mulheres? Manter-se mesmo relativamente aquecido, limpo e alimentado em condições primitivas é mais difícil do que em ambientes mais 'quadrados'. (A propósito, quão desatualizada é muita ideologia hippie quando se trata de considerar as mulheres como seres humanos! Ou de não as considerar de todo.)

No entanto, eu tinha vindo apenas para um fim de semana e passei devidamente o primeiro dia na cama. Durante as horas de meditação, minha mente previsivelmente vagava, mas, como Meredith sugeriu, voltei minha atenção para a ideia de relaxamento. Ele veio ver como eu estava indo, e deu conselhos em seus tons habituais e calmos enquanto se sentava na cama afundando. Eu tinha pouco a relatar. No período da noite, ele não me visitou - não, pelo menos em pessoa; mas quando a breve luz do dia se apagou, senti mais uma vez o início do misterioso Poder do Y. Foi reconhecivelmente

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a mesma sensação, embora menos intensa, que senti quando fui examinado para ser membro do A∴O∴ Fiquei de lado mentalmente, observando, mas nada mais aconteceu. A força foi gradualmente retirada ou dispersa e eu voltei à consciência normal e finalmente adormeci.

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