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*De Oxóssi, D. Os Reinos de Quimbanda e os Búzios de Exu. Arole. 2023.
*De Oxóssi, D. Os Reinos de Quimbanda e os Búzios de Exu. Arole. 2023.
*Frisvold. N. M. ''Seven Crossroads of Night''. Hadean Press. 2023.
*Frisvold. N. M. ''Seven Crossroads of Night''. Hadean Press. 2023.
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Edição atual tal como às 16h30min de 22 de janeiro de 2024

Quimbanda (às vezes grafada como Kimbanda, usualmente para marcar uma herança africana acentuada) é, em linhas gerais, o culto próprio de exu (não confundir com o orixá Exu ou Èsù) e pombagira. Pode significar também o trabalho específico de exu e pombagira dentro da religião de Umbanda. É uma religiosidade brasileira com elementos de forte ascendência africana, principalmente dos povos do tronco-linguístico Bantu, e também com influências da feitiçaria europeia.

Formação e Principais Correntes

A data e processo de formação da Quimbanda são incertos. Tata Decelso em "Umbanda de Caboclos" (Editora Eco. 1975) alega que a Quimbanda foi uma "invencionice" de Lourenço Braga e de Aluizio Fontenelle que teria surgido entre os anos 1940-1950. Outras fontes, porém, como Diego de Oxóssi (Os Búzios de Exu e os Reinos de Quimbanda; Editora Arole. 2023) e Nicholaj de Mattos Frisvold (Seven Crossroads of Night; Hadean press. 2023) entendem que a Quimbanda tenha se formado, no Sudeste brasileiro, agregando práticas das Macumbas Cariocas e de outras religiosidades. Entretanto, apontar uma figura ou um conjunto de personagens históricas que tenham sido responsáveis pela criação e estruturação primeira da Quimbanda parece uma tarefa para a qual não haverá uma conclusão final. Seja como for, a Quimbanda correu por muito tempo principalmente como uma prática secreta dentro de casas de Umbanda e mais recentemente ganhou mais independência, com muitas vertentes e praticantes completamente desligados da prática umbandista.

No Sul brasileiro, entretanto, a Quimbanda tem uma história ligeiramente diferente. Em Porto Alegre, principalmente, a prática do Batuque e da Umbanda teria se hibridizado na Linha Cruzada e desta teria saído a Quimbanda Tradicional ou Quimbanda de Cruzeiro e de Almas, organizada nos anos 1960 por Mãe Ieda de Ogum. A Quimbanda Sulista apresenta um caráter público mais marcante, com cerimônias grandiosas e festas ocorrendo nas ruas das cidades e é marcadamente separada da Umbanda.

Vertentes

Uma gama de vertentes de Quimbanda tem surgido nos últimos anos. Dentre estas, destacam-se:

  • Quimbanda de Raiz.
  • Quimbanda Nagô.
  • Quimbanda Malei.
  • Quimbanda Gererê.
  • Quimbanda Luciferiana.
  • Quimbanda Xambá.
  • Quimbanda Quirumbo.
  • Quimbanda Congo.

Exu, Pombagira e outros

Exu e Pombagira são as entidades principais da Quimbanda. No passado, falava-se também no culto de caboclos quimbandeiros e de pretos-velhos quimbandeiros ou pretos-velhos da mata, mas tais entidades tem sido marcadamente menos discutidas e frequentes nos tempos contemporâneos.

De maneira geral, exus e pombagiras são espíritos de pessoas falecidas que, de alguma maneira, por força de um mistério, ganham autonomia e determinadas capacidades que os diferem de espíritos de falecidos comuns, às vezes chamados de eguns. Pombagira é também chamada de exu-mulher, pois se trata de espírito feminino, enquanto exu é um espírito masculino. Estes espíritos são versados em diferentes práticas de feitiçaria e baixam ou incorporam em médiuns em terreiros ou casas de Quimbanda ou de Umbanda oferecendo serviços e tutoria.

Na Quimbanda, entende-se que exista uma entidade geral que é a mais alta na hierarquia e que emana os poderes de exu e de pombagira. Tal entidade é chamada de Exu Maioral, mas não se trata de um exu regular, não é um espírito de um falecido e não baixa ou incorpora em médiuns. Há muitas teorias para qual seja, de fato, a natureza e a identidade do Maioral. Ele é comumente equacionado ao Capeta, ou seja, ao Diabo, mas algumas linhas expandem esse mistério dando a ele outras faces. O Maioral dispõe de "embaixadores" que são os Exus que comumente organizam as legiões de espíritos e que interagem com os praticantes. Na maioria das casas, esses embaixadores se apresentam como uma trindade formada por Exu Mor ou Exu Belzebuth (representado pelo Baphomet de Eliphas Levi), Exu Lúcifer e Exu Rei das Sete Encruzilhadas (embora tal trindade possa sofrer leves alterações de casa para casa, como é comum na Quimbanda).

Linhas e Reinos

A primeira divisão dos exus e pombagiras aparece por volta dos anos de 1930 e são as 7 Linhas de Quimbanda, uma oposição clara às então estabelecidas 7 linhas de Umbanda. São elas:

  • A linha das Almas - comandada por Exu Omolu.
  • A linha dos Esqueletos do Cemitério - comandada por João Caveira.
  • A linha Nagô - comandada por Exu Gererê.
  • A linha Mossorubi - comandada pelo Exu Kaminaloá.
  • A linha Malei - comandada por Exu Rei e por Exu Marabô.
  • A linha dos Caboclos quimbandeiros - comandada pelo Caboclo Pantera Negra.
  • A linha Mista - comandada pelo Exus das Campinas.


Depois, principalmente por conta do trabalho de Mãe Ieda de Ogum na Quimbanda Sulista, conforme codificado no trabalho de Omotobàtálá no livro "Reino de Kimbanda" de 1999, surge a classificação de exus e pombagiras em Reinos, também com hierarquia diversa, como segue:

  • Encruzilhadas.
  • Cruzeiro.
  • Matas.
  • Calunga pequena.
  • Almas.
  • Lira.
  • Praia

Estrutura Iniciatica e Sacerdotal

Na Quimbanda do Sudeste, os praticantes muitas vezes participam apenas de uma cerimônia de vínculo, às vezes chamada de batismo. Os sacerdotes são chamados de Tata (masculino) de Yaya (feminino) e passam por uma iniciação mais complexa que envolve a recepção de um assentamento dos espíritos. Não existe, geralmente, uma estrutura sacerdotal complexa com diversos graus, embora algumas vertentes tenham introduzido recentemente a seguinte gradação sacerdotal: Tata; e Tata Nganga, este sendo uma estância hierárquica superior a de Tata. Algumas vertentes, como a Quimbanda Congo, não utiliza o termo Yaya, mas sim Mametu, provavelmente derivado do Candomblé de Angola.

Na Quimbanda de Cruzeiro e de Almas, do Sul do Brasil, o sacerdote é chamado de Chefe de Quimbanda. Nesta vertente, existem diversas etapas dentro da caminhada iniciatica, a saber: iniciação; aprontamento; sacerdócio. Dentro do grau de sacerdote, porém, existem diversas subgradações que envolvem a recepção de facas que permitiram ao sacerdote realizar a imolação ritual de diferentes tipos de animais.

Referências e Bibliografia Recomendada

  • Frisvold, N. M. Exu and The Quimbanda of Night and Fire. Scarlet Imprint. 2012.
  • Frisvold, N. M. Pombagira and the Quimbanda of Mbumba Nzila. Scarlet Imprint. 2011.
  • De Oxóssi, D. Desvendando Exu, o guardião dos Caminhos. Arole. 2018.
  • De Oxóssi, D. Os Reinos de Quimbanda e os Búzios de Exu. Arole. 2023.
  • Frisvold. N. M. Seven Crossroads of Night. Hadean Press. 2023.



Esta artigo pertence às categorias Quimbanda e Religiões Afro-brasileiras

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