Os Amantes

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Os Amantes

Os Amantes representa o casamento dos opostos e o inteiro das qualidades masculinas e femininas, e a união entre os Amantes. Esta vêm junto com o Leão e com o Escorpião (fogo & água) criando a dualidade. Com eles, existe a divisão e a separação. A mais alta união dos Amantes é o reconhecimento da individualidade, mesmo assim eles são ambíguos; cada um corresponde a contra - parte e a diferença do outro. A multiplicidade transforma a bipolaridade em ágape (a mutabilidade do amor). É o casamento alquímico entre o Imperador e a Imperatriz, o número seis é a síntese, a culminação e a integração. Os Amantes é a carta da união dos opostos e a antipatia do semelhante. O princípio ativo é espalhar e o princípio passivo é reunir e fecundar. Este Atu irá se transmutar mais tarde no Atu XIV, A Arte.

Interpretações - multiplicidade de emoções, necessidades, emotividade, instabilidade, união superficial, inteligência, contradição.

Caminho da Árvore da Vida - De Binah a Tiphareth

Letra Hebraica - Zayin - Espada

Valor - 7

Tattwa - Ar

Nome Místico - Crianças da Voz; Oráculo dos Deuses Poderosos.

Signo - Gêmeos

Explicação da carta em O Livro de Thoth

Esta carta e sua gêmea, XIV (A Arte), são os mais obscuros e difíceis dos Atu. Cada um destes símbolos é em si mesmo duplo, de modo que os significados formam uma série divergente e a integração da carta só pode ser reconquistada mediante casamentos e identificações reiterados, e alguma forma de Hermafroditismo.

E, no entanto, a atribuição é a assência da simplicidade. O Atu VI se refere à Gêmeos, regido por Mercúrio. A letra hebraica correspondente é Zain, que significa Espada, e a estrutura da carta é portanto o Arco de Espadas abaixo do qual o Casamento Real acontece.

A Espada é primeiramente um engenho de divisão. No mundo intelectual-que é o mundo do naipe de Espadas-ela representa análise. Esta carta e o Atu XIV juntos compõe a máxima alquímica abrangente:solve et coagula.

Esta carta é, por conseguinte, uma das mais fundamentais do Tarô. É a primeira carta na qual mais de uma figura aparece(o macaco de Thoth no Atu I é apenas uma sombra). Em sua forma original, foi a história da Criação.

Acrescentemos aqui, em função de seu interesse histórico, a descrição desta carta em sua forma primitiva, o que é extraído de Liber 418.

"Há uma lenda assíria de uma mulher com um peixe e há também uma lenda de Eva e a Serpente, pois Caim era o filho de Eva e a Serpente, e não de Eva e Adão; e, portanto, quando ele assassinara seu irmão, que foi o primeiro assassino por ter sacrificado coisas vivas ao seu demônio, Caim recebeu a marca em sua fronte, que é a marca da Besta referida no Apocalipse e o sinal da Iniciação."

" O derramamento de sangue é necessário, pois Deus não ouviu os filhos de Eva até que o sangue fosse derramado. E isto é religião externa; mas Caim não falou a Deus nem recebeu a marca da iniciação sobre sua fronte, de sorte que fosse evitado por todos os homens, até que tivesse derramado sangue. E este sangue foi o sangue de seu irmão. Este é um mistério da sexta chave do Tarô, que não deve ser chamada de Os Amantes e sim Os Irmãos."

" No meio da carta posta-se Caim; em suamão direita espta o Martelo de Thor com o qual ele assassinara seu irmão, e está todo tinto de sangue. Sua mão esquerda ele mantém aberta como um sinal de inocência. Sobre sua mão direita está sua mãe Eva, ao redor da qual a serpente se enrosca com seu capelo desdobrado atrás da cabeça dela, e sobre sua mão esquerda encontra-se uma figura um tanto semelhante a Kali indiana, mas muito mais sedutors. Todavia, eu sei que é Lilith. E acima dele está o Grande Sigillum da Seta, voltado para baixo, atingindo o coração da criança. Esta criança é também Abel. E o significado desta parte da carta é obscuro, mas este é o desenho correto da carta do Tarô; e esta é a fábula mágica correta da qual os escribas hebreus, que não eram Iniciados completos, furtaram sua lenda de Queda e os eventos subsequentes."

É bastante significativo que quase toda sentença deste trecho parece inverter o significado da anterior. Isto é porque a reação é sempre igual e oposta à ação. Esta equação é, ou deveria ser, simultânea no mundo intelectual, onde não existe grande retardamento de tempo; a formulação de qualquer idéia cria sua contraditória quase no mesmo momento. A contraditória de qualquer proposição está implícita nela mesma. Isto é necessário para preservar o equilíbrio do Universo. A teoria foi explicada na exposição sobre o Atu I, o Prestigitador, mas faz-se mister que seja agora enfatizada a fim de interpretar esta carta.

A chave é que a Carta representa a criação do Mundo. Os Hierarcas mantinham este segredo como do trancendente importância. Consequentemente, os Iniciados que publicaram o Tarô para uso durante o Aeon de Osíris substituíram a carta original acima descrita em The Vision and the Voice. Estava interessados em criar um novo Universo próprio; eles eram os pais da Ciência. Seus métodos de trabalho, agrupados, agrupaos sob o termo genérico de Alquimia, jamais foram tornados públicos. O ponto interessante é que todos os desenvolvimentos da ciência moderna nos últimos cinquenta anos têm proporcionado às pessoas inteligentes e instruídas a oportunidade de refletir que toda tendência da ciência tem sido retornar aos objetivos e (mutatis mutantis) aos métodos alquímicos. O segredo observado pelos alquimistas tornou-se necessário devido ao poder de perseguição de Igrejas. Tão amargamente quanto os beatos intolerantes lutavam entre si, eles estavam igualmente preocupados em destruir a Ciência infante, a qual, como reconheciam instintivamente, colocaria um fim na ignorância e na fé das quais dependiam o poder e a riqueza deles.

O assunto desta carta é a Análise, seguida pela Síntese. A primeira pergunta feita pela ciência é: "Do que são ocmpostas as coisas?" Respondida esta pergunta, a seguinte pergunta é: "Como iremos recombina-las para o nosso máximo proveito?" Isto resume toda política do Tarô.

A figura encapuzada que ocupa o centro da Carta é uma outra forma de O Eremita, o qual é elucidado na sequencia no Atu IX. Ele próprio é uma forma do deus Mercúrio descrito no Atu I, ele está rigorozamente encoberto, como para significar que a razão última das coisas está num domínio além da manifestação e do intelecto(como explicado alhures, apenas duas operações são, no final das contas, possíveis: análise e síntese).

Ele está de pé no Sinal do Entrante, como se projetanto as forças misteriosas da criação. Ao redor de seus braçoe se acha um rolo de pergaminho, indicativo da Palavra que é semelhante à essência e menssagem dele. Mas o Sinal do Entrante é também o Sinal da Benção e da Consagração, de maneira que sua ação nesta carta é a celebração do Casamento Hermético. Atrás dele estão as figuras de Eva, Lilith e Cupido. Este simbolismo foi incorporado para preservar em alguma medida a forma original da carta e mostrar sua origem, sua herança e sua continuidade com o passado. Na alijava de Cupido está inscrita a palavra Thelema que é a Palavra da Lei (ver Liber Al,cap.I, versículo 39). Suas setas são quanta de Vontade. É assim indicado que esta fórmula fundamental de operação mágicka, análise e síntese persiste através do Aeons.

Podemos passar agora a considerar o proprio Casamento Hermético.

Esta parte da Carta é uma simplificação de o Casamento Químico de Chistian Rosenkreutz, uma obra prima exessivamente extensa e prolixa para ser citada proveitosamente aqui. Mas a essência da análise é a gangorra contínua de idéias contraditórias. É um glifo de dualidade. As pessoas da Realeza envolvidas são o Rei Negro ou Mouro com uma coroa de ouro e a Rainha Branca com uma coroa de prata. Ele está acompanhado do Leão Vermelho, e ela, da Águia Branca. Estes são símbolos dos princípios masculino e feminino na Natureza; são, portanto, igualmente, em vários estágios da manifestação Sol e Lua, Fogo e Água, Ar e Terra. Em química eles se apresentam como ácido e álcali, ou (mais profundamente) metais e não metais, tomando-se estas palavras em seu mais lato sentido filosófico a fim de incluir o hidrogênio por um lado e o oxigênio, por outro. Neste aspecto, a figura encapuzada representa o elemento Protéico do carbono, a semente de toda vida orgânica.

Símbolos Principais

Águia - Signo de Escorpião, sublimação.

Taça - Elemento feminino

Flores - Elemento Feminino

Espadas - Divisão, vagina

Pergaminho - Sabedoria

O Eremita - Ágape, falo

Cupido - Ágape, o elemento de união dos opostos.

Lilith & Eva - Dualidade

Leão - Calor e a ação sulfurosa

Referências

  • Astrum Argentum - 08/10/2006 e.v.
  • O Livro de Thoth-O Taro, Aleister Crowley